sábado, 8 de diciembre de 2007

A adivinhar o sentimento



É a maior das emoções negativas que existem, porque origina uma incerteza geral no corpo e no pensamento, pode incitar a comportamentos que não teríamos habitualmente. Começa por uma situação simples e específica, que vai a crescer e aumenta a grau tal que é desgastante. Sente-se quando sabes que alguma coisa má pode acontecer e estás à espera dela.

Se tivesse de descrever este sentimento com um filme, escolheria “Dancing in the dark”. De começo a fim a gente sabe que uma coisa má passará de um momento para outro, mas não sabe quando, cada cena está cheia de risco. Ainda que seja um musical, não é uma história romântica nem cômica, muito menos feliz.

Este sentimento surge, não quando ela dança ou canta, senão quando caminha para casa pelas vias do trem, a imaginar a sua casa sem saber o que vai encontrar, quando está no trabalho com essas máquinas tão grandes e suas mãos ficam perto da zona de corte dos metais e ela não pode ver. É cega.

Quando sabemos o que está a suceder na sua casa e ela chega. As coisas não podem sair bem, sabemos, e a imaginação começa correr, uma idéia má seguida de uma pior, os sentidos sempre alertas e na barriga, nos braços e pernas reconheces essa emoção, esse sentimento. Sabes qual é?

Afinal (só para não deixar a incógnita) digo-te que sim, o pior acontece.

sábado, 17 de noviembre de 2007

Dicionário

Poesia concreta





Tens de dar click nas imagens para ler as chaves léxicas. Não se traduzem literalmente.

sábado, 13 de octubre de 2007

Quadrinhos

Tuga



Ontem eu vi uma coisa que me deixou pensativa. Foi como as fábulas que sempre dão uma mensagem para a vida.

Estava na janela a olhar para o jardim onde estava a minha tartaruga, ela é tão bonitinha, é uma tartaruga de terra e tem uma carapaça forte e acho que grande demais para o seu corpozinho, e ainda com isso ela é muito ágil. Perto da sua casa havia uma aranha a tecer a sua teia, quando Tuga (que é assim como ela se chama) viu-a e quis brincar. Pulou para alcançá-la, mas não pode, fez tudo aquilo que foi possível, até sacou o seu pescoço todo, nunca tinha olhado que Tuga tivesse um pescoço tão comprido!!!. Pensei que a minha tartaruga era inteligente, mas ela é somente um réptil, e não posso pedir que pensasse que poderia subir à pedra que ficava pertinho dali e alcançar facilmente à aranha, pois isso não é tão simples para ela.

Até pensei que ela tinha sentimentos, porque foi embora “zangada” (eu acho), mas qual foi a minha surpresa quando a aranha desceu com a sua teia e Tuga virou a sua cabeça rapidamente. Ela estava à espera disso “tinha todo calculado”!!! a aranha desceu até a carapaça e ficou ali. O que aconteceu? Uma vez mais não pôde atrapalhar aranha, virou o pescoço, girou como um cachorro a perseguir o seu rabo e tudo foi inútil. Ficava ali a minha Tuga, no meio do jardim, volta louca por uma aranha pequenina. Que seguiria depois? Que ela tivesse urticária das margaridas? Ou que a terra não lhe gostasse?

E mais surpreendida fiquei quando a aranha fez a sua teia ao redor do pescoço de Tuga e ela ficou “submetida” por um bicho de uns três centímetros. Não podia acreditar aquilo que via. A aranha acima de Tuga como um ginete em cavalo e ela triste a caminhar devagar até ao pé da janela onde eu olhava aquela cena.

Pensei que não se pode julgar ninguém pelo seu tamanho, e que isso nada tem a ver com a inteligência e as habilidades de cada um.




domingo, 7 de octubre de 2007

Lipograma

Desejo?



Ela olha o seu rosto e o sangue corre com uma força estranha, mas não é estranha em verdade. Sempre acontece algo semelhante. É o desejo. Ele olha para ela também e a temperatura do sangue eleva-se até que o seu corpo se ergue. É o desejo. É sempre o mesmo. Não pode esperar nunca, nem ele, nem ela podem postergá-lo e é como o corpo reage, procura-se um ao outro.

Acontece-lhe a ela com todos? Acontece-lhe a ele com todas? Acontece, mas com uma força menor. Entre eles o desejo é tão forte que ganha ao pensamento, é autônomo. O calor da pele chama-lhes até estar perto um do outro. Nunca foram as almas, somente os corpos. Um acordo fechado com palavras duma conversa. Não houve amor. Nada de amor, tem certeza?

Começou sem amor. E agora? Acho que em ela o amor começou sem querer, sem sabê-lo nasceu. Ela deu-se conta tarde, quando em ele apareceu amor de verdade, mas não por ela. O que aconteceu então? O desejo acabou, mudou para aquela que é amada. O desejo é menor do que o amor? E o senhor (a senhora) o que acha?

sábado, 29 de septiembre de 2007

Lenda


A lenda do nosso subconsciente.





Dizem que os sonhos são uma manifestação do nosso subconsciente, daquilo que queremos em verdade, mas não nos damos licença de aceitar, e que também pode sair pelos erros ao falar, quando dizemos uma coisa por outra. O Psicoanálise é uma teoria que apóia isto, mas é o que eles querem pensar, porque não se atreveram dizer aquilo que narra uma (antiga) lenda, a lenda do “dirigente interno”.

Esta lenda fala do cérebro como um ser autônomo, que quase tem vida própria. Conta que quando o homem se originou na terra, ficou como um ser dentro dele, uma espécie de parasito, e que pela seleção natural, somente aqueles que tinham este parasito lograram sobreviver. Então, não era um parasito, não, senão um simbionte ou era mutualismo? talvez o parasito fosse o homem!!!. O homem precisava dele para viver, saber quando havia perigo, reconhecer as coisas boas para comer e as más para fugir. Para conseguir parelha e melhorar a espécie. Desde então, cada um teve um dirigente interno e ele reproduzia-se igual do que os homens. Os bebês nascem com o seu próprio dirigente interno que utiliza os corpos humanos para viver. Às vezes, os dirigentes cansam-se de ter de dirigir-nos e querem fazer a sua própria vida, é então quando saem como aquilo que nós chamamos “subconsciente”, e que às vezes também é conhecido como déjà Vu, nos fazem pensar que é uma falha na maneira de guardar informação e provoca uma confusão entre o vivido e uma premonição.

A verdade, segundo esta lenda, é que é somente ele, nosso dirigente interno, que fica aborrecido de dirigir-nos.

Provérbio popular.



Piscil era um menino que não era muito popular na sua aula, mas era totalmente reconhecível porque não era um menino “normal”. Ao começar o ensino primário ninguém apercebeu que ele era diferente, passou o tempo e ele não conseguiu o que os seus colegas. Teve de ficar um ano mais no segundo nível.

Foi então quando eu soube dele. Era um menino muito simples e sempre amigável ainda com aqueles que lhe faziam burla. Todos começaram a crescer, mas ele ficou pequeno, porque tem uma síndrome que limitava o desenvolvimento corporal e o intelectual. Para Piscil não era fácil aprender tudo aquilo que os outros meninos aprendiam rapidamente. Ele teve de duplicar os seus esforços para lograr passar de ano. Fez amigos que lhe ajudaram e trabalhavam em equipes.

Quando entrou ao ensino secundário a coisa foi prior, a diferença era maior, de tamanho, de inteligência e no sentido social. Mas sempre houve alguém que o ajudou e também animou para seguir adiante, ainda com exames extraordinários. Os professores também entenderam que para ele era difícil demais e sempre consideravam isso.

Agora, a diferença de muitos outros meninos, ele já tem uma profissão e um trabalho do que gosta. Tem amigos e a satisfação de aquele que logra o que quer.

É um exemplo de “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”